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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Os primeiros dias com a Bel

Na maternidade, acredito que como 99,9% dos bebês, a Bebel foi um anjinho. Só dormia, comia, fazia cocô e xixi. Não lembro de ouví-la chorando. Talvez eu ainda estivesse anestesiada com a chegada dela, naquele mundo mágico dos pôneis. Pois assim que a tive nos meus braços, meu mundo caiu - no bom sentido. Me senti totalmente apaixonada e totalmente ferrada. Não preciso explicar o motivo do "Apaixonada", mas o "Ferrada" foi porque eu soube que dali em diante minha vida não seria a mesma. Fui tomada por um medo, uma insegurança, milhões de pensamentos sobre o que podia dar errado, o quanto eu devia protegê-la, etc, etc, etc. Lembro de ter olhado pra Bel no berço e ter a sensação de que meu coração já não estava dentro do meu peito. Ele estava agora ali, naquele berço. E eu estaria então mais vulnerável do que nunca com um coração andando solto por aí. Daí a sensação de "Ferrei-me".

De volta pra casa, lembro que a próxima sensação foi a de ter caído na "Pegadinha do Malandro". Eu simplesmente não sabia o que fazer com a Bel. Ela chorava e eu não fazia ideia do motivo: era fome? cólica? xixi? cocô? tédio? medo? frio? calor? o quêêêêêêêêê? Sem falar nas mamadas em livre demanda. Parecia que um caminhão de mudanças todo dia passava por cima de mim. E eu me perguntava: Como é que ninguém me falou sobre isso antes??!?!?!?! Eu tinha aquela visão idílica da maternidade onde eu ia dar de mamar pra um bebê lindo e fofo que ia dormir tranquilamente no meu colo que nem nas propagandas de fraldas\brinquedos\leite\whatever de crianças. Ela choraria, mas eu com o instinto materno infalível ninja saberia tirar de letra. Bastava saber ouvir. Olhar e se conectar com o bebê. Coisa mais linda...na teoria. Na prática foi um caos. Falta de sono, banho e comida tiveram um efeito catastrófico sobre mim. Eu amava minha filha, mas me sentia numa roubada. Tipo, pega com as calças na mão. Acho que na primeira semana eu comprei, no desespero, uns 3 livros no Kindle. Tudo correndo atrás de alguma fórmula mágica pra aprender a lidar com a Bel. Todo dia fazia 1000 buscas no Google com o mesmo intuito. Até aprender que não era bem por aí levou um tempinho.

Mas eu tive suporte de algumas amigas. Quando eu falava das minhas paranóias elas riam e me diziam que também tinham passado por isso. De certa forma, esses relatos me acalmavam. Mas ainda assim, no meio do furacão é difícil encontrar alguma estabilidade. Talvez o melhor conselho que tenham me dado foi justamente parar de tentar achar essa estabilidade. Relaxar e simplesmente viver o momento...lindo de novo. Mas a mãe surtada aqui não conseguia nem relaxar. Ia para cama e ficava olhando o teto vidrada, cansada e sem conseguir fechar os olhos. E quanto mais não conseguia relaxar, mais estressada ficava por não conseguir relaxar e então não conseguia relaxar porque estava estressada e...já viu onde isso vai dar, né?

Porém, analisando hoje, acho que mesmo que alguém tivesse me "dado essa real", eu não escutaria. Continuaria lá no meu mundinho cor de rosa da gravidez acreditando que comigo tudo seria diferente. Mais equilibrado. 

Ah, preciso também deixar claro que eu e o Hugo somos simpatizantes da criação com apego. Assim, bastante colo. O pediatra que cuidou da Bel logo que nasceu nos deu as seguintes recomendações no primeiro dia de vida dela: 
1. Não deixem ela dormir durante o dia. Porque aí ela vai acostumar e vai trocar o dia pela noite e quem vai se dar mal são vocês.
2. Mamou, vai pro berço. Não fica com ela muito colo pra não acostumar mal.
Er...na boa, descartamos esses conselhos, por mais bem intencionados que fossem. Pois, a menina mal nasceu, no primeiro dia de vida a gente já vai começar a implantar uma rotina?!?! E o colo? Poxa, ela passou 9 meses dentro da minha barriga, num calorzinho, aconchego e agora também vou acostumá-la a "ser independente" com 1 dia de vida? Menos, né? Olha, cada qual com seu cada qual. Criar filhos é que nem religião, cada um escolhe a sua. Nesse momento, eu escolhi o caminho com bastante toque, carinho, do colo quantas vezes ela quiser. Não me arrependo. Mas faço uma ressalva: cansa pra caramba! Demais! Teve dias que eu terminava com uma dor na costa terrível. Me jogava no chão pra relaxar. Porém, eu sabia que essa tinha sido uma escolha minha. Mas a costa doía mesmo assim.:-)

Como me disseram que tudo melhoraria após os 3 meses, eu até coloquei um contador no celular esperando por essa data cabalística. É bem verdade que a data chegou e eu nem percebi mais. Porque realmente tudo passa. Com o tempo acho que a gente vai se aquietando mais também. Vai conhecendo nossa cria e relaxando um pouquinho que seja.

A chave é a paciência. Sobrevivemos. :-)

2 comentários:

  1. POis é Márcia.. a dor nas costas huahuahua :). O pediatra do Arthur liberou o colo desde o início.. falou que é pra dar colo mesmo por que ele se sente inseguro, pelo menos até os dois meses, depois disso, ele disse que muda essa orientação .. a consulta é na próxima semana... vamos ver o que ele vai dizer mas não vou deixar meu bebê chorando :-P hehehehe.. enfim, vamos ver o que ele vai dizer ;).

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  2. Eu era outro perdido... Mas depois da segunda semana com a Bel em casa, eu já me preocupava mais em saber como eu poderia ajudar a Márcia... Mas em relação à Bel, eu até dormia tranquilo sabendo que a Márcia estava de vigia o tempo todo! :D
    Mas enfim, acredito que o que nos trouxe um grande alívio foi a bomba de extrair leite, pois aí a Márcia conseguia uma janela de tempo entre as mamadas e a retirada do leite pra que ela descansasse enquanto eu dava a mamadeira pra Bel...

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